Supressão viral faz pessoas com HIV envelhecerem cognitivamente no mesmo ritmo que pessoas sem HIV, aponta estudo dos Estados Unidos
viral detectável. Essas áreas fazem parte dos gânglios da base, estruturas relacionadas ao controle do movimento, cognição e motivação, consideradas particularmente vulneráveis ao HIV e potencialmente capazes de atuar como reservatórios virais no cérebro.
Fatores sociais e comportamentais também influenciam
O estudo também mostrou que a saúde cerebral não depende apenas do controle viral. Análises complementares indicaram que sintomas depressivos, consumo de álcool e cannabis e condições socioeconômicas desfavoráveis — como viver em bairros com maior vulnerabilidade social — estavam associados a pior desempenho cognitivo e menor volume cerebral.
Os resultados indicam que fatores sociais, ambientais e de saúde mental exercem influência significativa sobre o envelhecimento cognitivo, mesmo entre pessoas com HIV bem controlado, reforçando a importância de uma abordagem integral da saúde.
Implicações para tratamento e saúde pública
Segundo os pesquisadores, de forma geral, o estudo contribui para esclarecer os efeitos de longo prazo do HIV no cérebro. Ao acompanhar os participantes ao longo do tempo e diferenciá-los de acordo com o nível de supressão viral, os pesquisadores demonstraram que o tratamento eficaz pode impedir a aceleração do envelhecimento cognitivo associada à infecção.
Embora diferenças estruturais e funcionais médias possam persistir, o processo de envelhecimento em si não parece ser intensificado quando a carga viral é mantida indetectável. As conclusões reforçam a importância do diagnóstico precoce, da adesão ao tratamento antirretroviral e do monitoramento contínuo da carga viral para preservar a saúde cerebral.
Em um cenário em que pessoas vivendo com HIV apresentam expectativa de vida cada vez maior graças aos avanços terapêuticos, compreender o impacto da infecção sobre o envelhecimento torna-se essencial. O estudo sugere que o controle viral eficaz pode permitir que essas pessoas envelheçam cognitivamente de forma semelhante à população geral, ao mesmo tempo em que destaca a necessidade de atenção a fatores sociais, comportamentais e psicológicos que também moldam a saúde do cérebro ao longo da vida.
Fonte: Agência Aids


