Iniciativa inédita no Brasil visa ampliar prevenção do HIV entre jovens – Revista Galileu
A ideia é fortalecer o debate e o acesso à PrEP dentro das comunidades
Esta semana foi lançado o estudo COMPrEP (PrEP na comunidade), uma iniciativa inédita no Brasil, que busca fortalecer a prevenção do HIV entre adolescentes e jovens. O COMPrEP vai avaliar a efetividade da oferta de PrEP em contextos comunitários, ou seja, fora das unidades de saúde.
O projeto capacita jovens para atuarem como educadores pares. Assim, eles podem orientar, acolher e acompanhar outros jovens no uso do medicamento. PrEP é a sigla de Profilaxia Pré-Exposição. Trata-se de um remédio preventivo, que protege contra o vírus HIV.
A PrEP é disponibilizada gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS), para pessoas a partir de 15 anos. O acesso ao medicamento é focado em homens que fazem sexo com outros homens, população trans, profissionais do sexo e pessoas que se relacionam com parceiros diagnosticados com HIV (casais sorodiscordantes).
O COMPrEP visa atender pessoas de 15 a 24 anos, fortalecendo vínculos de confiança. O estudo será desenvolvido em Salvador e São Paulo, com a participação de cerca de 1,4 mil adolescentes e jovens. Eles vão ser divididos entre dois modelos de cuidado: o tradicional (em unidades de saúde) e o comunitário, com oferta de PrEP mediada por educadores pares e supervisionada por profissionais da saúde. O acompanhamento vai durar até 12 meses.
A iniciativa foi desenvolvida por pesquisadores da Fiocruz Bahia, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade do Alabama (EUA), em parceria com o Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais e organizações da sociedade civil. É financiada pelo National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos.
“A proposta representa uma mudança importante ao reconhecer o papel das comunidades no enfrentamento da epidemia. A expectativa é que os resultados contribuam para o aprimoramento das políticas públicas de prevenção ao HIV no Brasil, com foco em estratégias mais acessíveis e adequadas às populações em maior vulnerabilidade”, frisa Laio Magno, um dos pesquisadores envolvidos, em comunicado da Fiocruz.


