UOL: ‘Fui investigar tosse, descobri HIV e tive pânico de contar para a família’

O criador de conteúdo Rafael Roller, 32, contou que descobriu o HIV ao investigar uma tosse. A médica solicitou exames de rotina e, no resultado, a surpresa. Hoje, após cinco anos após o diagnóstico, ele usa as redes sociais para falar sobre a doença e reduzir o estigma.

Pânico em contar para a família

Rafael Roller disse que não esperava receber diagnóstico de HIV. Ele afirmou que a médica incluiu exames de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) na solicitação, mesmo após ele dizer que não achava necessário, pois estava em relacionamento há alguns anos.

Roller disse que a inclusão dos exames de ISTs acabou sendo decisiva para a descoberta. Ele defendeu que a testagem deve ser mantida mesmo em diferentes contextos de relacionamento. “Muita gente não se testa para as ISTs. Às vezes, por estar numa relação, a gente não precisa fazer esses exames”, afirmou.

Roller disse que, no início, sabia pouco sobre o HIV e que isso influenciou seus pensamentos após o diagnóstico. “Quando descobri, sabia pouco da doença. Meus pensamentos eram ‘terroristas’ (…) É uma condição muito solitária”, declarou.

O criador de conteúdo afirmou que teve pânico de contar para a família e disse que temia julgamento. Ele relatou que o receio também passava pelo fato de estar em uma relação e pela forma como as pessoas poderiam interpretar como ocorreu a infecção.

Roller disse que a primeira pessoa da família a quem contou foi a irmã. Ele afirmou que os dois são próximos e que ela foi acolhedora, antes de ele falar com amigos mais próximos

Eu só fui contar para a minha família mesmo quando eu decidi que eu queria falar sobre esse assunto nas redes sociais. (…) E foi tranquilo. Eles me ouviram muito.

Tratamento, indetectável e mudanças de hábitos

Roller afirmou que, com o tratamento, ficou indetectável. Isso significa que a carga do vírus fica tão baixa que não há transmissão por via sexual.

Ele relatou que passou a lidar com comentários preconceituosos quando alguns vídeos alcançam pessoas fora do público habitual. “Tem um vídeo ou outro que acaba furando um pouco a bolha, e vem umas pessoas me xingar ou fazer comentário preconceituoso”, disse.

Segundo ele, hoje a reação a esse tipo de ataque faz parte do processo. “Quando acho que é válido, eu respondo, faço um vídeo falando ou, às vezes, eu nem respondo”, afirmou.

Roller disse que o diagnóstico também o levou a tomar decisões e fazer coisas que não fazia antes. “Depois que eu recebi o diagnóstico, eu fiquei com uma sensação de que a vida é agora”, declarou.

Ele afirmou que revisou hábitos que impactavam o tratamento, como o consumo de álcool. “Fazia piada com meus amigos de que eu era alcoólatra. Mas, de repente, percebi que não era mais engraçado. (…) São mais de 50 dias sem álcool”, disse.

HIV é um vírus que afeta o sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável a infecções oportunistas. Sem tratamento, a infecção pode progredir para a Aids, quando surgem os sintomas.

A transmissão pode ocorrer por relações sexuais sem camisinha. Além de seringas e agulhas contaminadas, transfusão de sangue ou transplante de órgãos, e da mãe infectada para o filho. Os sintomas da primeira fase podem ser parecidos com os de uma gripe comum, como febre, dores no corpo e mal-estar.