PEP contra o HIV: saiba como funciona e onde buscar atendimento imediato

Série especial sobre a mandala da prevenção combinada explica quando procurar a PEP, como ela funciona e onde acessar o serviço pelo SUS.

Em meio à folia do Carnaval, período marcado por maior circulação de pessoas, encontros casuais e situações de vulnerabilidade, a profilaxia pós-exposição (PEP) se apresenta como uma estratégia fundamental da mandala da prevenção combinada ao HIV. Indicada para situações de risco já ocorridas, a PEP é considerada uma emergência médica e pode impedir a infecção quando iniciada o mais rápido possível.

“A PEP é a profilaxia pós-exposição sexual. Ela é indicada quando a pessoa tem uma relação sexual sem preservativo, quando a camisinha estoura, em casos de violência sexual ou quando há suspeita ou confirmação de que a parceria viva com HIV”, explica a infectologista Zarifa Khoury, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em entrevista à Agência AIDS.

PrEP e PEP não são a mesma coisa

Apesar de frequentemente confundidas, PrEP e PEP têm funções diferentes dentro da prevenção combinada. A PrEP é usada antes da exposição, de forma contínua ou sob demanda, enquanto a PEP é utilizada após uma situação de risco, de maneira pontual.

“A PrEP funciona como uma pílula anticoncepcional, tomada mesmo quando não há relação sexual. Já a PEP é usada somente depois de uma exposição de risco”, esclarece a especialista.

Quanto antes, melhor: o tempo é decisivo

O início da PEP deve acontecer o mais rápido possível. “O ideal é começar em até duas horas após a relação de risco, mas o uso ainda é indicado até 72 horas depois. Quanto antes a pessoa inicia, maior é a eficácia”, reforça a infectologista.

Por isso, a orientação é clara: não esperar. A PEP não deve ser deixada para depois do Carnaval ou para o horário comercial.

Como funciona o tratamento com PEP

Ao iniciar a PEP, a pessoa faz uso de uma combinação de medicamentos antirretrovirais por 28 dias consecutivos. Diferente da PrEP, que envolve um ou dois medicamentos, a PEP utiliza o mesmo esquema terapêutico usado no tratamento do HIV.

“São três medicamentos, tomados diariamente durante 28 dias. É fundamental manter a adesão correta durante todo o período”, explica Zarifa.

Durante o tratamento, a recomendação é usar preservativo em todas as relações sexuais. No caso de mulheres que amamentam, a orientação é interromper a amamentação temporariamente.

Testagem e acompanhamento fazem parte da PEP

O cuidado não termina com o início do medicamento. A pessoa que inicia a PEP realiza testagem para HIV no dia do atendimento, depois de um mês e novamente após três meses, para confirmação do resultado.

Além disso, o atendimento inclui testagem para outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e hepatites B e C. “Ao procurar a PEP, a pessoa acaba também cuidando de outras ISTs, porque faz parte do protocolo”, destaca a infectologista.

Um ponto importante é esclarecer que a PEP não protege contra outras ISTs, como sífilis, gonorreia ou hepatites. Por isso, o uso do preservativo e a testagem seguem sendo fundamentais, mesmo após o uso da profilaxia.

Onde encontrar a PEP pelo SUS

A PEP está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Brasil. O atendimento pode ser feito em serviços de urgência e emergência, como prontos-socorros, UPAs, hospitais públicos e unidades de referência em HIV/aids.

Como a PEP precisa ser iniciada o mais rápido possível após a exposição, a orientação é procurar um serviço de saúde 24 horas, especialmente à noite, aos fins de semana e feriados. A equipe de saúde avalia o risco da exposição e, quando indicada, inicia o tratamento e orienta o acompanhamento ao longo dos 28 dias.

“A pessoa não deve esperar até segunda-feira. Teve risco, procura o serviço mais próximo imediatamente”, orienta Zarifa.

Para iniciar a PEP, é necessária uma avaliação médica e prescrição, mas não é exigido boletim de ocorrência ou autorização prévia.

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Carnaval, risco e informação

No contexto do Carnaval, a PEP deve ser lembrada não apenas em casos extremos. Relações sexuais com penetração vaginal, anal ou oral sem preservativo, falha da camisinha ou qualquer situação em que a pessoa se sinta insegura são motivos para buscar orientação.

“A principal mensagem é: ou a pessoa usa PrEP, ou usa camisinha, e precisa saber que a PEP existe. A mandala da prevenção está aí para ser usada”, reforça a infectologista.

Prevenção é escolher o que funciona para cada contexto

A PEP integra um conjunto mais amplo de estratégias, que inclui preservativos, PrEP, testagem, vacinação contra hepatites e HPV, tratamento das ISTs e cuidado contínuo em saúde sexual.

“O melhor método de prevenção é aquele que a pessoa consegue usar. A mandala existe para que cada um encontre a melhor forma de se cuidar naquele momento da vida”, conclui Zarifa.

Fonte: Agência Aids

Imagem: Gustavo Grance