O Globo: Brasil receberá a maior conferência sobre HIV e aids do mundo; entenda

É a primeira vez que o evento é realizado na América do Sul

O Rio de Janeiro sediará a 26ª Conferência Internacional sobre Aids (Aids 2026), considerada o maior encontro global sobre saúde pública, ciência e direitos humanos relacionados ao HIV e à Aids do mundo. O evento, promovido pela Sociedade Internacional de Aids (IAS), ocorrerá pela primeira vez na América do Sul entre os dias 26 e 31 de julho.

Esta edição, conta com o apoio do Ministério da Saúde, da Fiocruz, da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia).

“É uma honra recebermos a conferência Aids 2026, em especial após tantos e recentes anúncios positivos realizados pelo Brasil. Tudo isso só foi possível graças ao nosso SUS e a priorização da vida com respeito aos direitos humanos e a parceria com a sociedade civil ao longo dos 40 anos de epidemia no país. O evento será mais uma oportunidade de compartilhar nossa experiência e fortalecer a resposta internacional ao HIV e à Aids”, diz o diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde e co-presidente da Comissão Organizadora da Aids 2026, Draurio Barreira, à Agência Fiocruz de Notícias.

Para a presidente da IAS, a pesquisadora Beatriz Grinsztejn, chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e HIV/Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), a conferência dará visibilidade às especificidades da epidemia de HIV na América Latina, em um contexto no qual a região ainda registra aumento de novas infecções, em contraste com a tendência global de queda.

“A resposta brasileira à epidemia sempre foi fundamentada nos direitos humanos e na trajetória histórica de liderança, acesso universal ao tratamento e à prevenção, além do forte engajamento comunitário, fortalecida pela vibrante comunidade de ativistas, pesquisadores e formuladores de políticas. Portanto, oferece um cenário estratégico para repensar, reconstruir e avançar a resposta ao HIV no país, na região e no mundo”, diz Grinsztejn.

Na América Latina houve ampliação do acesso ao tratamento e redução de mortes relacionadas à Aids desde 2010. No entanto, em alguns países, as mortes aumentaram entre mulheres. Além disso, enquanto o mundo registra queda nas novas infecções por HIV, a América Latina apresentou crescimento no período recente, reforçando a necessidade de ações integradas de prevenção, cuidado e enfrentamento ao estigma e à discriminação.

O Brasil tem histórico de atuação baseada no compromisso com evidências científicas e no respeito aos direitos humanos. No final da década de 1990 foi o primeiro país de baixa ou média renda a fornecer acesso gratuito à terapia antirretroviral para pessoas vivendo com o vírus. Adotou a política de tratamento para todos em 2013, que resultou em uma queda de quase 33% das mortes relacionadas à Aids até 2023. Em dezembro do ano passado alcançou a eliminação da transmissão vertical do HIV – durante a gestação, o parto ou a amamentação. Sua estratégia combinada de prevenção oferece acesso gratuito a preservativos, gel lubrificante, testes de detecção do HIV e profilaxias pré e pós exposição ao HIV (PEP e PrEP), que utilizam medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco de infecção pelo HIV.

A conferência reunirá pessoas vivendo com HIV e/ou Aids, pesquisadores, gestores, formuladores de políticas públicas, representantes de movimentos sociais e outras pessoas envolvidas na resposta ao vírus e à enfermidade. Com o tema Repensar. Reconstruir. Avançar, a Aids 2026 terá formato híbrido, com possibilidade de participações virtuais ou presenciais, em um momento crucial para a resposta internacional à aids, marcado por crise de financiamento e cortes em programas de HIV em diferentes países.

A programação do evento incluirá conferências, mesas e sessões científicas, além da apresentação de pesquisas e experiências nacionais e internacionais. Pessoas interessadas em participar podem enviar resumos, propostas de exposições, eventos satélite, oficinas e atividades de pré-conferência até 27 de janeiro. As submissões e inscrições devem ser feitas no site oficial e até 11 de fevereiro é possível garantir tarifas com desconto.

O vice-presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Veriano Terto Jr., afirma que “a realização da Aids 2026 será uma oportunidade para debater e encontrar soluções para os grandes paradoxos que ainda impedem o controle da Aids”. Ele destaca que a desigualdade e a iniquidade entre os países continuam impedindo que os avanços cheguem a todos que necessitam, especialmente os mais pobres.

“Esperamos que seja uma oportunidade de encontrarmos caminhos para vencer estes desafios. Que esta solidariedade aproxime ainda mais ciência e comunidade como fontes fundamentais de produção de conhecimento e elaboração de respostas eficazes”, conclui.