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Minguam recursos para o tratamento da aids - 18/08/2011


Os gastos para o combate mundial à AIDS caíram de forma significativa em 2010, pela primeira vez desde que os Estados Unidos e outros governos começaram a fazer grandes doações, de acordo com um novo relatório.
O declínio ocorre num momento de maior demanda por dinheiro para implementar novos métodos de prevenção que poderiam controlar o contágio do HIV, o vírus que causa a AIDS. Mais de 25 milhões de pessoas morreram de AIDS desde 1980, e hoje existem mais de 34 milhões infectadas com o HIV no mundo todo.
A crise econômica mundial desacelerou as contribuições dos governos para o combate à AIDS nos últimos dois anos, mas a queda de 10% dos fundos em 2010 foi resultado, em grande parte, ao critério mais rigoroso estabelecido pelo Congresso americano para o desembolso de recursos dos EUA, segundo o relatório divulgado na segunda-feira pela Kaiser Family Foundation e pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e AIDS.
Os EUA são o maior doador mundial até agora, respondendo por mais da metade dos fundos distribuídos no ano passado. Mas Washington desembolsou pouco mais de US$ 3,7 bilhões em 2010, cerca de US$ 700 milhões a menos do que em 2009. Seis outros países, dos 15 pesquisados, também fizeram doações menores, quando calculadas em suas próprias moedas. As flutuações do câmbio também tiveram um peso, embora menos relevante, sobre a redução dos valores.
No total, os países doaram aproximadamente US$ 6,9 bilhões em 2010, uma queda de 9,7% em relação aos US$ 7,6 bilhões do ano anterior, de acordo com o estudo.
"O impacto pode ser real. Isso é dinheiro que não foi a campo", disse Jennifer Kates, diretora de política de saúde global e HIV da Kaiser.
Não está claro se o volume menor do ano passado sinaliza uma tendência de grandes cortes. Mas a redução acontece quando os cientistas enfrentam uma realidade dolorosa: os orçamentos para a AIDS estão diminuindo ao mesmo tempo em que novos métodos para a prevenção do HIV vêm sendo identificados, dando aos líderes do setor de saúde pública sua primeira chance real de controlar uma epidemia que começou há várias décadas - caso eles possam assegurar os recursos necessários para executar as medidas.
A queda na liberação de fundos pelos EUA no ano passado "deve ser vista como um fato isolado" ligado à introdução de novos acordos, disse Jennifer Peterson, porta-voz do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da AIDS, o principal veículo do governo para o financiamento de programas de combate à síndrome no exterior.
Mas, no mínimo, "a era de aumentos exponenciais acabou", disse Kates, observando que a diferença em fundos globais para a AIDS entre 2008 e 2009 foi insignificante. Os financiamentos dos EUA para a luta mundial contra a AIDS no ano fiscal de 2011 é cerca de US$ 28 milhões menor do que no exercício fiscal de 2010, diz ela.
Com as novas normas estabelecidas pelo Congresso em 2008, os EUA precisam traçar metas de cinco anos para cada país que receberá os recursos antes de liberar o dinheiro, um processo que atrasou o desembolso de US$ 500 milhões no ano passado, uma vez que 15 dos 32 países qualificados foram retirados do programa, diz Peterson.
As autoridades dos EUA também ficaram com US$ 71 milhões, de uma contribuição total de US$ 1,05 bilhão para o Fundo Global de Combate à AIDS, TUBERCULOSE e Malária, porque agora o governo precisa revisar as despesas operacionais do fundo, os salários da equipe, e outros critérios antes de liberar os recursos, diz Peterson. Segundo ela, os países que receberão os recursos restantes do ano fiscal de 2010 ainda não foram selecionados.

 

 

Fonte: The Wall Street