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Jovens com HIV/aids discutem o enfrentamento à epidemia - 02/06/2011

Jovens com HIV/aids discutem o enfrentamento à epidemia

Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids reunida em Manaus (AM) traça os próximos passos do grupo para discutir a prevenção às DST, aids e hepatites virais e a promoção da qualidade de vida a quem vive com a doença

 

 

Em busca do respeito humano e atenção à saúde, um grupo de 120 jovens vivendo com HIV/aids reuniu-se em Manaus, na última semana, e elegeu novos representantes para a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids (RNAJVHA). Dentro de um espaço de construção democrática, o 5º encontro da rede definiu como missão, para os próximos dois anos, a inclusão e reivindicação de políticas de juventude que tratem da realidade de jovens que vivem com HIV/aids. O grupo busca formas de vencer as barreiras sociais geradas pela falta de informação, que levam estigma e preconceito a quem vive com aids.

O 5º encontro da rede teve como principais eixos de discussão: saúde, educação, direitos humanos, incidência política e trabalho em redes. A vida escolar e as relações afetivo-sexuais entre casais sorodiscordantes (quando apenas um dos parceiros tem o vírus) estiveram entre os temas em debate. Também fizeram parte da discussão os direitos sexuais e reprodutivos.

“Houve vários momentos lúdicos que permitiram maior participação dos novos integrantes da rede. São jovens que não sabiam o que é a rede e no fim do encontro tiveram propriedade para interagir”, avalia o amazonense José Rayan, 18 anos. Rayan foi eleito o novo coordenador nacional da RNAJVHA. Há três anos na rede, ele avalia que a cada encontro os participantes da rede vêm demonstrando maior maturidade política.

As novas lideranças saíram do encontro de Manaus com a sensação de dever cumprido. Rayan lembra que, no último encontro nacional da rede em Curitiba (PR), em 2009, havia apenas 3 jovens da região Norte. “Em Manaus, éramos 40 participantes”, enumera. Além do amazonense eleito para a coordenação nacional, os jovens escolheram cinco coordenadores regionais que ajudarão no trabalho local e na busca de novos jovens vivendo com HIV/aids para a rede.

 

Pedro Mazotte, 19 anos, morador de Planaltina (DF), representará o Centro-Oeste. Ele teve o primeiro contato com os jovens que vivem com HIV/aids no 4º encontro, em Curitiba. Um dos compromissos de Mazotte é melhorar a comunicação entre os meninos e meninas da região central do país. “Precisamos conquistar mais credibilidade junto às coordenações estaduais de aids da região. Vou me articular com os outros jovens por e-mail e telefone”, ressalta.

Os 120 jovens reunidos em Manaus optaram por Brasília para o próximo encontro nacional, em 2013. A capital do país foi eleita pela RNAJVHA por ser mais central. O grupo acredita que a localização geográfica da capital vai permitir que mais jovens participem do encontro. “Além de facilitar os deslocamentos e apoio logístico, vamos estar mais próximos das representações dos Poderes e dos representes nacionais das agências das Nações Unidas”, explica o goiano Elton Padilha, 28 anos, que ficará à frente da organização do evento em Brasília. Para Elton, o encontro em Brasília também contribuirá para fortalecer a rede no Centro-Oeste.

“O engajamento dos jovens é importante para aproximar cada vez mais o viver com HIV/Aids das políticas públicas de saúde”, destaca o diretor-adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa. Para Eduardo, a educação de pares é importante por utilizar a linguagem dos próprios jovens.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 1991, havia 155 municípios com pelo menos um caso de aids em jovens de 13 a 19 anos. Em 2009, subiu para 237 o número de cidades com registro da doença nessa faixa etária. O total de casos de aids nessa população, de 1980 até junho de 2010, corresponde a 12.693 registros. Atualmente, a região com a maior taxa de incidência de aids nesse grupo é o Sul (4,2 casos da doença a cada 100 mil habitantes), seguido do Norte (3,1), Sudeste (2,7), Centro-Oeste (2,6) e Nordeste (1,9). A rede surgiu em 2008 a partir de um curso de ativismo e direitos humanos para jovens vivendo com HIV/aids.

 

Fonte: Departamento de DST/Aids: