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Em 3 meses Brasil poderá ter exame que define se paciente deve usar o antirretroviral maraviroque - 05/04/2011


Próxima ação do governo será discutir a incorporação do medicamento no país
Especialistas que definem o consenso terapêutico brasileiro para a AIDS reuniram-se recentemente para discutir atualizações no tratamento da doença. "São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão validando exames que indicam quando um paciente tem indicação para usar o maraviroque", conta o infectologista Ronaldo Hallal, coordenador do grupo. "Em torno de 3 meses os testes devem estar disponíveis."
O exame é importante porque o remédio age apenas nos doentes em que vírus HIV entra nas células por meio do co-receptor CCR-5. Atualmente existe só um laboratório em todo o mundo (Monogram Biosciences), com sede nos Estados Unidos, que possui validação oficial para a testagem.
Baixa demanda
Após a validação nacional do teste, que está ocorrendo com financiamento do Ministério da Saúde, a discussão do consenso será sobre a necessidade de incorporação do remédio. "O maraviroque atenderia a um público bastante segmentado. Além disso, nos últimos anos já incorporamos outros remédios com funções similares, como o RALTEGRAVIR", diz o coordenador do consenso terapêutico.
Mesmo assim, médicos ouvidos pela Agência de Notícias da AIDS defendem que o Brasil deve oferecer o medicamento. É o caso do infectologista e pesquisador da USP Esper Kallás. "O maraviroque tem o uso bastante limitado, mas é útil em algumas circunstâncias", declara.
A infectologista do Centro de Referência e Treinamento de DST/AIDS de São Paulo (CRT-DST/AIDS), Simone Rocha, explica que todo remédio possui um papel específico na terapia contra a AIDS. "Alguns medicamentos possuem mais restrições do que outros. Isso não deve ser um impedimento", acredita.
Fabricado pela Pfizer com o nome comercial Celsentri, o maraviroque é utilizado nos Estados Unidos e na União Europeia como alternativa inicial ao tratamento ou nos casos em que o doente adquire resistência a outras drogas. No Brasil, de acordo com Ronaldo, o remédio seria utilizado como opção à falha de outras possibilidades terapêuticas.
Sobre o consenso
O grupo que define o consenso terapêutico no Brasil é formado por 30 especialistas, incluindo médicos pesquisadores, gestores e integrantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O comitê completo se reúne cerca de duas vezes ao ano, havendo outras reuniões de subcomitês.

 

Fonte: Agência de Notícias da Aids