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HIV é o vírus mais conhecido pela ciência, afirma professor de medicina da USP Esper Kallás - 24/03/2011

Como resultado de grandes investimentos em pesquisa nas últimas décadas, o HIV é o vírus mais conhecido pela ciência. Os inúmeros avanços conquistados modificaram, para melhor, a realidade dos portadores do vírus. Mas ainda há um longo caminho pela frente para que se possa controlar a epidemia de HIV/AIDS.
A conclusão é de Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) que organizou, na semana passada, em São Paulo, o 6º Curso Avançado de Patogênese do HIV. Durante o evento, foram discutidos temas como tratamento, desenvolvimento de vacinas e epidemiologia do vírus.
O curso, que trouxe ao Brasil 30 dos principais especialistas em HIV de todo o mundo, integrou as atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Investigação em Imunologia (INCT-III), cuja área de HIV-AIDS é coordenada por Kallás.
Segundo o médico, as apresentações realizadas no curso mostraram que as descobertas relacionadas ao vírus e à doença não cessaram nos últimos anos. "Os avanços que tivemos desde a identificação da AIDS até hoje são imensos. Mas ainda temos três grandes desafios pela frente. O primeiro é desenvolver uma vacina protetora. O segundo, compreender o mecanismo de degeneração e combater o envelhecimento dos portadores. O terceiro é descobrir como curar o indivíduo, diz. "Quando cumprirmos esses três objetivos, poderemos controlar ou eliminar a epidemia."
Efeito cascata
De acordo com o cientista, os investimentos na pesquisa sobre o HIV, que sempre foram consideráveis, precisam permanecer no mesmo patamar para que seja possível vencer os desafios.
"É importante observar que os recursos investidos na pesquisa sobre AIDS não ficam restritos a essa área, mas acabam se replicando para várias outras. Não podemos esquecer que esse tipo de investimento é feito principalmente a longo prazo, na formação de recursos humanos, na disseminação de conhecimento e na capacitação de grupos de pesquisa", destacou.
A situação dos pacientes atualmente, em comparação com a do início da epidemia na década de 1980, é bastante diferente, segundo Kallás. Mas isso não significa que a doença possa ser encarada com indiferença.
"Naquela época, ser portador da doença tinha um significado ainda mais dramático. Hoje é diferente, mas a doença não pode ser ignorada. Ela ainda tem um impacto muito grande, em termos de saúde pública, de saúde individual e até mesmo no que diz respeito ao custo financeiro", afirma.
Redação da Agência de Notícias da AIDS com informações da Agência Fapesp

 

Fonte: Agência de Notícias da Aids