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Indústria de filme pornô vive "guerra das camisinhas" - 24/02/2011

A indústria de filmes pornográficos nos EUA também vive seus dias de remakes e sequências. Mas as histórias não se repetem só nas telas e sim na vida real.
É a "guerra das camisinhas" travada entre os estúdios e as autoridades da Califórnia, que acaba de ganhar mais um capítulo.
A Procuradoria Geral de Los Angeles tem até meados de março para entregar um relatório sobre as estratégias e opções que a cidade tem para tornar obrigatório o uso de PRESERVATIVOS em todos os filmes produzidos na região.
Por ano, o mercado de cinema pornô movimenta mais de US$ 10 bilhões no sul da Califórnia e produz cerca de 10 mil filmes, com 1.200 atores em 200 produtoras.
No final de 2010, o ator Derrick Burts, 24, que trabalhava em filmes gays e heterossexuais, confirmou o teste positivo para HIV. A notícia interrompeu a produção de filmes, fechou a clínica responsável por testar os profissionais e trouxe de volta a discussão das camisinhas.
O mesmo aconteceu em 2009. Surto maior surgiu em 2004, quando cinco atores contraíram o vírus após rodarem cenas com o ator Darren James, que, por sua vez, pegou a doença provavelmente em filmagens de uma empresa americana no Rio.
"Gente que produz pornô e faz muita grana não quer mexer nos seus lucros", disse à Folha o vereador Bill Rosendahl, responsável pelo pedido do relatório aos procuradores da cidade.
"Mas eu me preocupo com a segurança dos artistas e da mensagem e imagem que eles passam para as pessoas que assistem aos pornôs."
Rosendahl, 65, é gay e perdeu um parceiro nos anos 80 por causa da AIDS. Ele afirma que o lobby da indústria é forte em Sacramento, capital, o que dificulta o cumprimento de uma lei estadual de 2004 que já prevê o uso de PRESERVATIVOS nos sets.
Mas ele afirma que não vai desistir de criar regras mais rígidas em Los Angeles, onde estão concentrados os estúdios, na região de San Fernando Valley, com a ajuda da ONG AIDS Healthcare Foundation, que tem cooptado ex-atores pornôs infectados para fazer campanha.
TESTE GRATUITO
Neste mês, 50 membros do grupo fizeram piquete na entrada de um grande evento que premia os filmes pornôs, em Hollywood. Distribuíram camisinhas e realizaram testes gratuitos de HIV em laboratórios instalados em vans.
"Anos atrás eu tentei fazer todo mundo usar camisinhas. Várias produtoras toparam, mas as vendas caíram drasticamente. Uma mudança seria difícil", disse um agente de atores pornôs ao "The New York Times".
Com a crise de 2010, a clínica sem fins lucrativos criada em 1998 para testar os atores pornôs perdeu sua licença e ficou fechada por dois meses. O local voltou a funcionar neste mês, sob nova direção e sem mais o status de ONG. Sharon Mitchell, cofundadora da ONG e famosa ex-atriz pornô, continua como presidente do grupo.
Doenças sexualmente transmitidas são diagnosticadas em um quarto dos atores a cada ano, de acordo com a Saúde Pública do Condado de Los Angeles. O número de casos de gonorreia é sete vezes maior do que no resto da população.


Fonte: Folha de São Paulo