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Antecipar tratamento pode não ter resultado esperado - 16/02/2011

Dados indicam que pode estar ocorrendo excesso do uso de medicamento sem benefício imediato para os pacientes.
O estudo feito por Alexandre Grangeiro sugere que a antecipação do início do tratamento de pacientes com AIDS, recomendada pela Organização Mundial da Saúde e adotada por vários países - incluindo o Brasil -, não esteja provocando o impacto esperado nas estatísticas da doença. "Outros trabalhos precisam ser realizados. Mas os números até agora apresentados indicam que a estratégia pode estar provocando o excesso do uso de medicamento sem benefício imediato para pacientes", completa.
Quando o paciente tem confirmada a infecção, é submetido a testes para verificar a contagem de células T, encarregadas da defesa do organismo, e de carga viral, que identifica o nível de circulação do HIV. Somente quando o paciente atinge determinados limites o tratamento com remédios para combater a infecção começa a ser indicado.
Esse limite foi alterado pela Organização Mundial da Saúde. O tratamento começa a ser feito quando os níveis das células de defesa do organismo estão numa quantidade maior que no passado, o que indicaria um estágio menos avançado da infecção. "A decisão foi adotada tomando por base estudos que demonstravam que o risco de morrer entre pacientes que seguissem esse tratamento era um quarto do risco que corriam os que começassem a usar a medicação no período tradicional", observa Grangeiro.
No entanto, ele observa que a morte entre pacientes que iniciam o tratamento em período adequado já é um evento raro. "Há um risco menor. Mas, por outro lado, o uso de medicamentos também tem riscos: efeitos colaterais, risco maior para resistência. É preciso verificar até que ponto isso vale a pena", diz.
Para ele, há outro ponto importante: o acesso ao medicamento. "No Brasil, não há dúvida de que todos terão remédio garantido. Mas em países africanos, a realidade é outra." Com isso, o que pode ocorrer é a oferta de remédio para pessoas que clinicamente estão em boas condições, em prejuízo de outras que dependem diretamente da medicação para continuar vivendo.
O diretor do DEPARTAMENTO DE DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, diz que não há razões para dúvidas. "Por menor que seja o ganho, vale a pena."
62,5% seria a queda na taxa de mortalidade por AIDS no País se o diagnóstico não fosse tardio, segundo o pesquisador Alexandre Grangeiro. Em quatro anos, 17 mil pessoas poderiam ser salvas

 

Fonte: O Estado de São Paulo