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Resultados do “Viva Melhor Sabendo” confirmam sucesso do primeiro ano do programa - 13/04/2015

Seminário em Brasília apresentou números da estratégia que promove testagem de fluido oral entre populações vulneráveis

 

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BRASÍLIA – Um público atento e multicolorido lotou nesta semana o auditório do Hotel Lakeside, em Brasília, para os dois dias do primeiro Seminário de Avaliação do Projeto Viva Melhor Sabendo. Ao longo de terça, 7, e quarta-feira, 8, equipes do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV) do Ministério da Saúde e representantes das 50 ONGs brasileiras envolvidas apresentaram e avaliaram os resultados deste primeiro ano do projeto. Foram convidados também a participar da reunião coordenadores de aids dos municípios e estados envolvidos, para que conhecessem melhor a estratégia.

Em comum, uma constatação: o “Viva Melhor Sabendo” foi extremamente bem-sucedido ao lançar-se à árdua tarefa de levar a testagem rápida com fluido oral a populações-chave como forma de enfrentar a epidemia de HIV/aids no Brasil – aproximando-se destes públicos por meio de variadas ações extramuros e do incansável envolvimento de pares. Os resultados confirmam este sucesso.

Segundo dados preliminares apresentados pela Coordenação de Prevenção e Articulação Social (CPAS) do DDAHV, o “Viva Melhor Sabendo” realizou 28.400 testes de fluido oral em todo o Brasil. Os testes foram realizados nas populações-chave – mulheres profissionais do sexo, gays, homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis, pessoas transexuais, pessoas que usam drogas – e em “outras populações” formadas por pessoas que estavam presentes nos espaços de sociabilidades das populações-chave abordadas, entre elas homens profissionais do sexo.

Os dados apontaram que a população-chave mais testada foi a das profissionais do sexo (18,2%), seguida por HSH e gays (18,1%). Verificou-se que 46,8% das pessoas testadas realizaram seu primeiro teste no projeto “Viva Melhor Sabendo”.

A maior proporção de reagentes (testes positivos) estava entre as travestis (13%), seguidas pelas pessoas transexuais (6,4%). Entre gays e outros HSH, a proporção de testes positivos para o HIV foi de 4,7%; entre homens profissionais do sexo, de 4,5%; entre pessoas que usam drogas, 2,3%; entre mulheres profissionais do sexo, 1,6% – todos acima da prevalência nacional, que é de 0,4%.

VITÓRIA – “A gente tem de ir onde a epidemia está”, disse o diretor do DDAHV, Fábio Mesquita, ao abrir o seminário, acrescentando o quanto esforços como este são cruciais em um país como o Brasil, onde a epidemia é concentrada e cresce entre os jovens e outras populações-chave. “O ‘Viva Melhor Sabendo’ representa uma vitória extraordinária, com resultados impressionantes que nos ajudam a repensar a estratégia de diagnóstico em todo o país”, disse.

Para Mesquita, “o programa tem sido visto no mundo inteiro como uma estratégia extremamente importante, que merece ser replicada”. O diretor do DDAHV reiterou também a importância do comprometimento de todos os envolvidos para o sucesso desta primeira fase do projeto – das ONGs ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e ao Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), passando pelas coordenações estaduais e municipais de DST/Aids.

Ao dirigir-se às ONGs, Fábio Mesquita lembrou que “precisamos muito de vocês para atingir os primeiros 90 das metas de tratamento 90-90-90 propostas pelo Unaids para 2020” – segundo as quais 90% de todas as pessoas vivendo com HIV devem saber que têm o vírus; 90% das pessoas diagnosticadas com HIV devem receber a terapia antirretroviral; e 90% das pessoas recebendo tratamento deverão possuir carga viral indetectável e não mais possam transmitir o vírus. É neste contexto maior que o projeto “Viva Melhor Sabendo” está inserido.

DEMANDA – Outros resultados do primeiro ano do “Viva Melhor Sabendo” também chamaram a atenção dos presentes. Segundo a CPAS, por exemplo, a aceitação das populações-chave ao projeto superou todas as expectativas, demonstrando a demanda real destas populações por ações de testagem e prevenção – desde que adaptadas a suas realidades e dinâmicas.

A capacidade técnica das ONGs na abordagem das populações-chave e na oferta e realização do teste oral – bem como nos aconselhamentos pré e pós-teste – foi também identificada como um dos fatores determinantes do sucesso da estratégia: as organizações demonstraram criatividade na resolução de eventuais problemas, reiterando que a estratégia tem grande resiliência e capacidade de adaptação às especificidades das populações abordadas. A parceria e o apoio das coordenações estaduais e municipais de DST/Aids foi também apontada como fator crucial ao sucesso das ações das ONG.

CONTINUIDADE – O seminário reafirmou que o projeto “Viva Melhor Sabendo” é um processo contínuo, e que eventuais problemas servem – em última instância – para o sucesso da estratégia maior do qual estes esforços fazem parte. Centrado na educação entre pares e em ações extramuros, voltado às populações-chave, o “Viva Melhor Sabendo” é mais uma prova inequívoca que a parceria entre o governo, as agências internacionais e a sociedade civil – marca da atual resposta nacional à epidemia de HIV/aids – é uma estratégia acertada e extremamente eficaz para seu combate.

Após constatação e validação desta experiência como uma boa prática que contribui para a política de enfrentamento da epidemia, a ideia agora é definir ações para institucionalizar a estratégia como uma medida de saúde pública, contando com o apoio da gestão local.

PARES – “Por meio deste projeto, chegamos muito mais rápido à população: a estratégia da educação entre pares é muito acertada”, comemorou o psicólogo Renato Villanova Benages, fundador e vice-presidente da Associação e Centro de Estudo e Pesquisas da Unidade Brasil (Acepeub), de São José do Rio Preto (SP) – uma das 50 ONG participantes do primeiro ano do  “Viva Melhor Sabendo”.

Os dados consolidados do projeto executado pela ONG na cidade – entre os dias 27 de fevereiro de 2014 e 26 de fevereiro de 2015 – são um exemplo eloquente do sucesso deste primeiro ano:  130 saídas de campo para oferta e execução de testagem; 2.375 pessoas às quais foi ofertado o teste rápido de fluido oral, em abordagem de prevenção com material informativo; 1.554 testes rápidos de fluido oral realizados e resultados entregues; 19 pessoas com resultados reagentes e encaminhadas ao serviço de referência; e 12 pessoas com resultados reagentes atendidas no serviço de referência. A ONG também distribuiu 7.057 preservativos masculinos – entre outros insumos e materiais informativos – por meio do projeto.


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  • Fábio Mesquita - Seminário Viva Melhor Sabendo