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NOTA DE REPÚDIO - 06/06/2013

A REDE GAPA, coletivo que reúne instituições pioneiras na luta contra a Aids em seus estados, vem através desta nota repudiar a censura do Ministério da Saúde a campanha de prevenção à AIDS direcionada as prostitutas, assim como a exoneração do Diretor do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais – Dr. Dirceu Greco.
Assistimos atônitos à onda conservadora que tomou conta da Saúde Pública brasileira, especialmente no que tange as ações de controle das DST e Aids. O mais grave é que aponta para um inequívoco retrocesso que está em curso: o fato dessa campanha "Sem Vergonha de..." ser de 2002, ou seja, ela circula a mais de 11 anos, apoiada pelo Ministério da Saúde, sendo fruto de um trabalho colaborativo entre o Movimento de Prostitutas e o Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais.
É lamentável a incapacidade do Ministro Alexandre Padilha e do Governo Dilma de compreender que prevenção às DST e Aids e promoção à Saúde passa pela fruição de direitos fundamentais. Todavia, o Ministério vêm sistematicamente censurando as campanhas midiáticas, direcionadas as populações mais vulneráveis e atingidas pelo HIV e Aids. Tal posicionamento serve não apenas como um desserviço para a diminuição das taxas de infecção pelo HIV, mas também depõe contra as ideias de convivência com a diversidade que defendemos.
A postura do Ministério da Saúde, inevitavelmente demonstra um posicionamento atrelado a grupos políticos oportunistas, assentados no fundamentalismo religioso e na falsa moral, que têm sido responsáveis pelo retrocesso das ações desenvolvidas em AIDS e no campo da saúde da mulher. Tais fatos se constituem em uma ameaça direta à Democracia e aos Direitos Humanos, além de colaborarem com o recrudescimento de novos casos de Aids e intensificarem o estigma e a discriminação.
Estamos atentos exercendo o papel de controle social e estaremos denunciando em todos os fóruns, nacionais e internacionais, esta intervenção que está ocorrendo nas ações de Aids do Governo brasileiro, e cujos nomes dos responsáveis por este desmonte da resposta governamental de luta contra a Aids devem ser conhecidos, responsabilizados e não podem ser esquecidos.
Viva o Direito à Memória e à Verdade!
REDE GAPA