Notícias

Para especialistas, tratamento da aids para crianças melhorou, mas ainda é bem inferior em relação a - 15/10/2012

Os primeiros tratamentos pediátricos da aids eram adaptações de remédios para os adultos com dosagens menores para as crianças. Nos últimos anos, no entanto, vários antirretrovirais passaram a ser incluídos no consenso terapêutico infantil contra a doença, mas as opções ainda estão longe de ser o ideal e ficam atrás das novidades voltadas aos mais velhos, avaliam especialistas.

No Brasil, de 1980 a junho de 2011, foram notificados 14.127 crianças menores de cinco anos com aids. Em 2010, foram 482 novos casos nesta faixa etária, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde.

Infectadas quase sempre pela via vertical, ou seja, da mãe para o bebê no momento do parto ou no aleitamento, as crianças filhas de mulheres soropositivas ganharam recentemente no Brasil mais uma opção para a profilaxia. O governo anunciou a introdução da Nevirapina em xarope para a prevenção da transmissão vertical.

"O novo medicamento faz parte de uma série de intervenções implantadas pelo Ministério para reduzir este tipo de transmissão. Nos últimos 12 anos, conseguimos uma queda de 49,1% no número absoluto de casos de aids em crianças menores de cinco”, explica o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco.

No ano passado, outros novos medicamentos passaram a ser usados também no tratamento pediátrico da aids: Darunavir, Tipranavir, Fosamprenavir e Ritonavir. Em 2010, o antirretroviral Kaletra "em baby dose" ficou disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

José Araújo Lima, coordenador do Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (EPAH), já trabalhou por muitos anos com crianças portadoras do HIV e aids. Para ele, apesar dos recentes avanços no tratamento pediátrico, as crianças sempre estiveram em segundo plano no âmbito das pesquisas. “Elas tomavam medicamentos adaptados dos adultos. Ainda falta sensibilidade dos laboratórios para pesquisar um tratamento adequado para elas”, critica. “A inclusão do xarope ajuda, mas está longe de ser o tratamento ideal”, completa.

Fabrício Rodrigues, hoje com 19 anos, conta que desde que se descobriu soropositivo, aos 14 anos, vem tendo problemas com os remédios. O jovem já trocou os medicamentos duas vezes e diz que somente há seis meses o mal estar melhorou.

Segundo ele, desde o início da medicação ele se sente mais cansado, o que mudou um pouco a sua rotina. “Nunca foi fácil tomar o remédio, ainda mais quando criança, pois tenho problemas com comprimidos e preciso diluir na água”, conta.

Para André Duarte, de 24 anos, a experiência com o tratamento foi melhor, mas o jovem que foi diagnosticado com HIV aos dois anos se recorda dos vários remédios que teve que tomar. “Não foi legal, mas sobrevivi”, diz. “Os medicamentos são necessários, e criança se acostuma com qualquer coisa”, completa, em relação à quantidade de medicamentos ingerida.

Crítica da necessidade de melhores medicamentos para as crianças, a infectologista do Hospital Emílio Ribas de São Paulo e uma das principais referências nacionais na aids pediátrica Marinella Della Negra avalia que as condições de tratamento hoje já estão bem melhores.

“Até protocolos de pesquisa já estão sendo feitos mais rapidamente para as crianças. O tempo de liberação da droga para elas também diminuiu”, comenta.

Marinella garante, no entanto, que novos medicamentos pediátricos são sempre bem-vindos, pois aumentam as possibilidades da composição da terapia. “A criança pode ter intolerância a um medicamento e não ter a outro. Quanto mais medicamentos, melhor, porque você pode usá-los de uma forma escalonada”, completa a infectologista.

Uma das principais metas do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids) é ajudar os países a zerar a transmissão vertical do HIV até 2015, diminuindo assim os casos de aids nas crianças.

Segundo Dirceu Greco, o Brasil caminha para o cumprimento desta meta.

 

Fonte: Redação da Agência de Notícias da Aids