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Medicamentos barram transmissão do HIV - 28/05/2010

                                          Medicamentos barram transmissão do HIV

 

 

Pesquisadores norte-americanos divulgaram ontem um estudo que revela a capacidade de o coquetel que controla a evolução do HIV impedir também a transmissão do vírus. Os medicamentos antirretrovirais, tomados por pacientes soropositivos, reduzem o risco de infecção do parceiro em 92%. O estudo foi realizado com 3.381 casais africanos sorodiscordantes — quando um parceiro tem o HIV e o outro não. Um grupo de pessoas portadoras do vírus tomou os medicamentos, enquanto outros infectados ingeriram placebo. Ao fim de dois anos, os pesquisadores verificaram que 103 pessoas contraíram o HIV, sendo que apenas uma delas tinha um parceiro que tomava o coquetel.

“A utilização de ART (antirretrovirais) por pacientes infectados pode ser uma estratégia eficaz para realizar reduções do número de transmissões”, escreveram os autores do estudo, liderado pela professora Deborah Donnel, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. A pesquisa foi realizada com voluntários de sete países africanos, com o aval de um comitê de ética e orientações sobre sexo seguro aos participantes. A África Subsaariana ainda é a região com maior incidência de transmissões: em 2008, 71% dos novos casos de Aids foram registrados na área.

O bom desempenho dos antirretrovirais se deve ao fato de que esses remédios diminuem o nível de vírus no sangue e nas secreções corporais, tais como o sêmen e o muco vaginal. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Érico Arruda, afirma que os resultados da pesquisa já eram conhecidos por especialistas. O estudo foi apresentado pela primeira vez na 17ª Conferência de Retrovírus e Infecções Oportunistas, em fevereiro deste ano. “Mas o fato de estar publicado em uma revista científica respeitada dá mais peso à pesquisa”, comenta. Os dados foram divulgados pelo periódico The Lancet.

Segundo Arruda, os resultados fortalecem a ideia de que o tratamento das pessoas infectadas é também uma forma de impedir o avanço da epidemia. “Podemos antever que, a partir da prescrição de antirretrovirais a todos os portadores da doença, será possível bloquear o aparecimento de novos casos”, diz. Os números também estimulam investimentos dos governos em remédios para os portadores da doença — que são hoje mais de 34 milhões de pessoas em todo o mundo. Érico afirma, ainda, que a pesquisa norte-americana já está sendo analisada pelo comitê do Ministério da Saúde que elabora protocolo com orientações para mulheres soropositivas que queiram ter filhos.

O presidente do Fórum de ONG/Aids, Rodrigo Pinheiro, comemorou a divulgação do estudo e afirma que esses e outros dados reforçam o uso de novas tecnologias de prevenção ao HIV. Rodrigo, no entanto, acredita que todos os novos recursos precisam ser trabalhados com cuidado junto à população. “Hoje, 98% das pessoas sabem o que é Aids e como se pega. Mesmo assim, mais de 50% não usam camisinha nas relações sexuais”, aponta.

Correio Braziliense